Quinta, onze da noite. Numa travessa do Itaim você espera o manobra. Sim senhor o café é aqui mesmo, diz ele tentado controlar a formação duma fila tripla. O café, no caso, chama-se Nagayama, reduto de 9 em cada 10 yuppies paulistanos.
Curiosamente, de café o lugar não tem nada. O espaço se resume a um retângulo escuro lotado de mesas, onde clientes e staff se espremem num cerimonial complexo. Tudo isso ladeado por caixas de som num volume nada ambiente.
Cheguei cedo para pegar lugar, diz sua amiga bem a vontade. Você, saído do academia e morto de fome, só ri quando o garçom sugere 4 fatias de atum. Colega, só me volte aqui com vinte fatias e um saquê bem gelado.
A competição pela mesinha mais animada é pesada. Boys do mercado financeiro gargalham com Stellas em punho, publicitárias de Blackberry brindam seus cosmos e moças de meia-idade calibram o flerte com caipirinha de lichia.
Depois de várias tentativas você e sua amiga decidem conversar na rua. Ufa, viva a paz e o silêncio do trânsito paulistano. O papo finalmente rola solto. Ao final, beijos, abraços e a conta salgada, como era de esperar.
Moral da historia, freqüentar lugar pra ver e ser visto tem seu preço. O problema não é o quanto ele onera a sua carteira, mas a sua paciência.









