Archive for dezembro \29\UTC 2009

Muita luz

dezembro 29, 2009


Que no Natal São Paulo fica leeenda com tanta luzinha é fato. Mas o transtorno que essa história de turismo de Natal causa na cidade, vou te contar…

Você vai contornar o parque e pá, uma penca de família no meio da avenida para ver a árvore da prefeitura. A anarquia se generaliza quando o povo inventa de visitar o chafariz, ali do lado, também conhecido como o da Marta (no caso, a Suplicy).

E a avenida Paulista? Parece competição de decoração natalina de banco. Tem um que montou até teatro na calçada, com horário de encenação e tudo. Outro, tem boneco que se mexe, com direito a musiquinha, tipo montanha encantada.

Nem quero entrar no mérito do bom gosto porque gosto, como você bem sabe, é que nem cu e cada um tem o seu. O que importa é que a cidade está bacanuda, sem trânsito e várias programações para quem pretende passar o new year’s eve por lá.

O que não é meu caso, já que me aboletei para o Rio hoje mesmo. Se for o seu, aproveita, se joga e depois me conta tudo. Diversão eu garanto que não vai te faltar. Bom ano novo e um conselho, não faça nada do que eu não faria… Ou seja, faça tudo.

Package

dezembro 23, 2009

Quando se deixa as compras de Natal na última hora cabe atentar a certas regras. Preparado? Vem comigo:

. Nessa época a finesse vai pras picas. Se prepare para ver velhinhas roubando sua vaga, furando fila e te empurrando na loja.

. E shopping popular é melhor que chique. O motivo? Os primeiros são preparados para o volume (de carro, gente, vendas) os chiques não.

. As lojas se enchem de vendedores extras, também conhecidos como saco-de-velho (ficam para lá e para cá sem saber direito o que fazer).

. Tudo acaba e, o que tem, não tem no seu número. Creio que se você precisasse de roupas nesta época, ficaria pelado.

. A rua Oscar Freire ganha o apelido de Vingt Cinq de Mars, de tão lotada. Mas, ainda assim, lotada de gente que você daria o mindinho por uma proza.

. Por fim, não sofra. Vai as compras? Leve na carteira meio comprimidinho de fluoxetina que tudo vai ficar muito, muito mais divertido.

Findi

dezembro 20, 2009

Chega o final do ano, começam as festinhas de firma, happy hour, amigo secreto e toda uma sorte de celebrações que, invariavelmente, terminam com você trabalhado no sentimento… No caso, o de vergonha empática.

Mas o problema nem é esse (até porque, a gente se joga mesmo) mas o fato das celebrações rolarem no meio da semana, tendo todo um dia de trabalho te esperando depois e pencas de pepinos para resolver.

Nestas horas, nem todo o café do mundo consegue te colocar no prumo. E você não sabe se a sua cabeça dói por ter que forçar o tico e o teco, ou pelo prosseco vagabundo do dia anterior.

Vale lembrar que quando a gente tem trinta, nem sonha se jogar em todas as festas que aparecem. Isso não quer dizer velhice (bom, talvez um pouco) mas sim responsabilidade. Sendo franco, bookando trinta por cento das festinhas você já está no lucro.

Por outro lado, aos trinta a gente aprende a fazer algumas coisas direito. Tipo evitar misturinhas, perceber quando vai virar abóbora, ou convidar o chefe para a balada, podendo chegar tarde no outro dia, com cara de zumbi, mas como o aval de quem importa.

Deu branco

dezembro 17, 2009

Domingo. Clube Pachá. Na porta da já tradicional festa do branco de um famoso estilista, você procura tirar da cartola o brinquedo para caridade pedido no convite.

Raptado do trabalho direto para a festa, onde mal pôde comprar um modelo, quiçá mimo para caridade, você faz cara de nada enquanto é salvo pela espada de plástico de um amigo (sim, isso aconteceu).

Lá dentro, toda uma sorte de gente (bonitas, bem bonitas, feias e bem feias) se esforçava para aplicar a sua criatividade no tema, fazendo com que a festa parecesse uma promo do Omo Dupla Ação.

Na tentativa de evitar mais desconforto, você compra uma onça de Smirnoff Ice. Esse drink acabou na casa inteira, diz a barman de mau humor. Surpresa mesmo, só quinze minutos depois, com o fim da cerveja e água gelada.

Com a festa despencando, incluindo o protagonista, que aterrissou no chão depois de provar uma água que passarinho não bebe, você resolve fugir dali e começar uma particular, com companhia, drink e dress code melhor: a roupa nenhuma.

Questão de afinidade

dezembro 15, 2009

A Danuza brinca no último livro que, em Paris, ou você é Del Flores ou Les Deux Magots, dois cafés bem famosos quase em frente um do outro. Em Sampa também se brinca que ou você é Spot ou é Ritz.

Ambos têm o mesmo dono, estão nos Jardins, são badaladíssimos e servem drinks benfeitos e uma comida até que boa… Mas quem frequenta (e sempre volta) definitivamente não está ali pela comida. 

O Spot fica numa praça bem moderna, a uma quadra da Av. Paulista e uma espera pode durar horas. O lounge externo, de frente para o chafariz, é tão ou mais interessante quanto o salão, e você vai querer saber que o staff é conhecido por ser o mais mais da cidade.

O Ritz é menor, mais despojado e tem um ar vintage (que pros inimigos a gente chama de outro nome), com sofás de couro e balcão de madeira. Parecido com o Spot só no staff bonito e o tempo de espera, já que as mesinhas vão enchendo de gente e ninguém vai embora.

Da última vez que fui no Spot cruzei o Caetano, Beltrano, Cicrano. Da última vez que fui no Ritz cruzei uma mocinha bêbada no banheiro, connaisseur de cerveja que, de grata, fez degustação (duma marca chamada Deus) pra mesa inteira. Mais Ritz né?

Artsy

dezembro 8, 2009

Quem vem para São Paulo percebe logo que é uma cidade das artes. Da arte do assalto, do trânsito, da enchente. Brincadeira. Me refiro as mostras que rolam o ano todo e fazem daqui um paraíso dos ratos de galeria.

Vê só: na Oca (que por si só vale a visita) está rolando a expo do Pequeno Príncipe. É uma mostra infanto juvenil mas do nível de gente grande. Eu indico mesmo se você não tiver pretensão de virar miss.

Também tem Os Gêmeos no FAAP (que vi ano passado na galeria Fortes Vilaça). E bem em frente, a exposição bafo do Christian Lacroix, com croquis, desenhos e modelos, tudo exposto num formato bem bacanudo.

Agora, se você estiver sem tempo (porque gastou ele rua 25 de março, Promocenter e afins, que eu sei) opte pela mostra De Dentro Para Fora, no Masp. Não sou muito fã dessa coisa grafite mas admito que ficou incrível.

Cultura nunca é demais. Nem que seja para enganar seu pai, que paga uma fortuna no seu curso de Belas Artes, sem saber que arte mesmo é o que você apronta nas noites de sexta no Clube Glória. Mas isso fica entre nós.

Garganta profunda

dezembro 3, 2009

Você diminuiu a balada, come arroz integral, corre no parque. Enfim, está na fase saudável. Logo, pensou que nunca mais ia por uma pílula na boca. Hã-ham! Um mês depois seu criado mudo lembra uma bancada de UTI.

Daí que o dia começa com homeopatia. O doutor sugeriu e você, na fase zen, se jogou na medicina alternativa. Só de bolinha de açúcar são quatro vidrinhos (imagina o desequilíbrio da pessoa).

Depois são as vitaminas para aumentar a resistência. Quando se faz muito esporte o organismo tem um break down. Sabia não? Nem eu, que só fui descobrir isso depois de tirar litros de sangue e fazer exame até da alma.

Depois vem os suplementos. Afinal, o verão está aí, o Rio de Janeiro está aí e, veja só quem também está aí: a barriga de chope. Resumo? Mais duas pílulas do tamanho dum besouro pela manhã, a tarde e a noite.

Mas tudo bem, a gente toma tanta porcaria na vida (e nem me refiro a Fanta Uva, tsá?) que a meu ver isso é fichinha. Fantástico mesmo é você chegar na roda e te chamarem de Glória Maria.