Archive for janeiro \23\UTC 2012

Lugar da moda

janeiro 23, 2012

Quinta, onze da noite. Numa travessa do Itaim você espera o manobra. Sim senhor o café é aqui mesmo, diz ele tentado controlar a formação duma fila tripla. O café, no caso, chama-se Nagayama, reduto de 9 em cada 10 yuppies paulistanos.

Curiosamente, de café o lugar não tem nada. O espaço se resume a um retângulo escuro lotado de mesas, onde clientes e staff se espremem num cerimonial complexo. Tudo isso ladeado por caixas de som num volume nada ambiente.

Cheguei cedo para pegar lugar, diz sua amiga bem a vontade. Você, saído do academia e morto de fome, só ri quando o garçom sugere 4 fatias de atum. Colega, só me volte aqui com vinte fatias e um saquê bem gelado.

A competição pela mesinha mais animada é pesada. Boys do mercado financeiro gargalham com Stellas em punho, publicitárias de Blackberry brindam seus cosmos e moças de meia-idade calibram o flerte com caipirinha de lichia.

Depois de várias tentativas você e sua amiga decidem conversar na rua. Ufa, viva a paz e o silêncio do trânsito paulistano. O papo finalmente rola solto. Ao final, beijos, abraços e a conta salgada, como era de esperar.

Moral da historia, freqüentar lugar pra ver e ser visto tem seu preço. O problema não é o quanto ele onera a sua carteira, mas a sua paciência.

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Surpresas

janeiro 16, 2012

Todo Natal você ganha aquelas surpresinhas que as vezes nem são a sua cara, noutras, até meio supérfluas, mas que você curte demais. Tipo…

Despertador com acelerômetro. É aquele em que a tela se adapta quando o relógio fica de ponta cabeça. Curti demais. Primeiro porque não ganho um quase brinquedo há décadas. E porque aposentei o iPhone dessa função.

Mocassim. Isso eu queria ter faz tempo, mas nunca comprei porque achava acho playboy demais. Acabei ganhando e admito, faz uma semana que não tiro do pé. É tão confortável que lembra uma Croc versão condições.

DVD. Muita gente acha DVD the end of the picada. Eu, por exemplo ganhei (do Pearl Jam e do David Bowie) e pohãn, gostei demais. Mas se você é dos que não gostam, só dizer onde que eu busco tudo.

Biografia do Boni. Me amarro em biografia. Li a do Walter Clark (O Campeão de Audiência) e quando saiu a do Boni pensei, é tipo “o resgate” depois de “o oitavo passageiro”, duas obras que se complementam e…

… Exagerei? Bom, acho que é o vinho de ontem fazendo efeito…

Sanidade aérea

janeiro 10, 2012

Detesto aeroporto. Já gostei bastante porque associava a viagem, férias e tal. Hoje, associo a estresse e confusão. Mas como recentemente topei um voo de dois dias para Ásia, atentei para umas coisas que podem deixar tudo melhorzinho.

Bom, fone de ouvido nem precisa dizer. Headphones são ótimos para isolar o som mas ruins na hora de dormir, por isso os foninhos ainda são imbatíveis. Também inibem gente crêizi de puxar papo (e caso pinte alguém interessante você, pá, tira o fone rapidinho na habilidade).

Visual bacana. Concordo, conforto é fundamental, mas imagina você de crocs e moletom e bem nesse dia cruzar o paquera? Se o seu voo for  internacional então, aí tem duty free, imigração, revista e, acredite colega, eles julgam pela aparência sim. Custa nada usar um jeans + camisa.

Um livro (ou dois). Quando tudo o mais dá errado pode ser a diferencia entre a sanidade e a loucura. Quem pegou aeroporto dia 2 sabe do que eu tô falando. E pelamordedeus não vem com essa de que você não lê (não confesse isso nem ao padre).

iPhone, iPad, notebook, seja qual for sua onda digital, todas são um adianto de vida. Mas já tentou acessar web de aeroporto em dia de colapso? É mais fácil achar no Galeão um carioca que não fala “douze”.

E por fim, semancol. Esse não vende, infelizmente. Mas com educação e um pouquinho de boa vontade qualquer pessoa adquiri adquire. Se vendesse, imagina que tudo comprar um saco para distribuir na viagem? Ia chegar no destino vazio vazio.

Donas da casa

janeiro 3, 2012

Meu reveillon foi uma orgia (pausa) mas gastronômica. A grande responsável por isso foi a empregada dos meus queridos anfitriões que, com razão, virou pauta do jantar. De modo que entre uma taça de veuve e outra a gente brincou de realizar para os tipos de domésticas:

Tem aquela empregada de antigamente (essa do jantar). Ela é do tipo que não deixa sua casa suja porque pensa na dela. E te trata que nem filho porque pensa nos dela. Geralmente mais velha, trabalha no tempo dela (com pausa pra novela das seis) e fuma Hollywood (do vermelho). Um clássico em extinção. Quem tem uma dessas tem um tesouro nas mãos.

Tem a empregada truta. Geralmente indicada por um amigo, transita livremente no círculo da turma. E sendo a turma neurótica com o shape, ela sabe fazer arroz integral e reza a lenda, passou um ano fazendo frango pruma bil sem repetir receita ne-nhu-ma vez. Verdade que volta e meia some um perfume, uma Calvin Klein (que diabos elas fazem com cueca pohãn?) mas a gente pensa no abdômen e faz vista grossa.

Tem a empregada patroa. Que é aquela com tino pra entender o quanto a gente é refém dos serviços dela e que por isso começa a abusar. Primeiro vem lista de compras absurdas. Depois faltas para ir ali, aqui, até você descobrir que ela estava mesmo era no Patativa Club. Por fim, as críticas ao seu modo de vida e daí rua né? Convenhamos, a última pessoa que fez isso já está fora da sua casa há séculos… E olha que ela transava com você.

Fofas, duronas, amargas, felizes, pra ser doméstica no Brasil tem que ter muito peito. Quem viaja sabe do que eu to falando pois lá fora empregada faz pouco e cobra caro. É artigo de luxo. Eu posso trocar de personal, de amigo e até de paquera mas a minha empregada não troco por nada.

[pra ler ouvindo essa música dilícia da rita só clicar aqui]