Archive for the ‘amizades’ Category

A arte de receber

novembro 9, 2010

Receber é uma arte. Nada a ver com a entidade que você recebe quando mistura vodka com bala. Isso se chama exu-caveirinha colega. Me refiro a receber os amigos em trânsito.

Eu recebia. Hoje não tenho mais apê, logo, não recebo nem o senso. Mas tenho amigos que são verdadeiros experts. Com eles aprendi que hospedar não tem a ver com luxo, mas com deixar o convidado a vontade.

Meu amigo do Rio costuma me receber com um post it: põe a sunga e vem pra praia. Adoro. O de Brasília fez até welcome kit. Uma toalha perfumada, uma caixa de bombons e uma cartinha linda. Berço colega, berço.

Já minha prima, que morava na Barra, era mais direta. Deixava a chave do apê, do carro e uma cartinha: volte vivo por favor! Essa me conhece bem. Tem ainda aquele que te recebe socialmente.

Ou seja, te leva pra sair, pra balada e ainda te inclui no grupo de amigos dele. Como meu amigo de Recife. E Barcelona. E se você for bacana ainda vira melhor amigo de infância dos amigos deles, voltando pra casa com muita história pra contar… e aquele aperto no peito que só esse tipo de viagem dá.

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Ipanema

janeiro 5, 2010

Prometi falar sempre duma praia diferente durante o verão. A de hoje é Ipanema, que não tem nada de nova, mas que não pode ficar de fora do verão de ninguém. Tampouco deste blog.

O brilho de Ipanema está no mix duma cidade do porte do Rio, com uma praia linda de morrer. Posso estar enganado mas metrópole desse tamanho, com mar de frente, só Barcelona. Onde a praia nem é tão bonita.

Em Ipanema a gente não leva cadeira nem guarda-sol. Basta pedir nas barracas espalhadas pela areia e pronto. Preocupe-se com o protetor e um corpo sarado pra chamar de seu, indispensável se você pretende pontuar.

As tribos são determinadas pelo trecho na areia. Os gays ficam em frente a rua Farme de Amoedo, os descolados em frente ao Coqueirão, a juventude dourada na Joana Angélica e os mais tranquilos em frente a Maria Quitéria.

Dica de vida, o mar em Ipanema não é para iniciante. Quase morri salvando um amigo de fora, que não sabia nadar e pagou um mico. Na dúvida vá de chuveirinho, que é seguro e a sua chance de dividir a fila com uma paquera delícia. Bom carão verão.

update: nos primeiros dias do ano vi mta gente filmando o pôr do sol em ipanema, mas não achei nada na web pra linkar. pena. caso você ache algo manda pra mim.

Findi

dezembro 20, 2009

Chega o final do ano, começam as festinhas de firma, happy hour, amigo secreto e toda uma sorte de celebrações que, invariavelmente, terminam com você trabalhado no sentimento… No caso, o de vergonha empática.

Mas o problema nem é esse (até porque, a gente se joga mesmo) mas o fato das celebrações rolarem no meio da semana, tendo todo um dia de trabalho te esperando depois e pencas de pepinos para resolver.

Nestas horas, nem todo o café do mundo consegue te colocar no prumo. E você não sabe se a sua cabeça dói por ter que forçar o tico e o teco, ou pelo prosseco vagabundo do dia anterior.

Vale lembrar que quando a gente tem trinta, nem sonha se jogar em todas as festas que aparecem. Isso não quer dizer velhice (bom, talvez um pouco) mas sim responsabilidade. Sendo franco, bookando trinta por cento das festinhas você já está no lucro.

Por outro lado, aos trinta a gente aprende a fazer algumas coisas direito. Tipo evitar misturinhas, perceber quando vai virar abóbora, ou convidar o chefe para a balada, podendo chegar tarde no outro dia, com cara de zumbi, mas como o aval de quem importa.

O troco

novembro 23, 2009

Queria ser tantas coisas. Ser rico, bom de lábia, cinco centímetros mais pauz alto… Também gostaria de ter sangue frio para certas causas, principalmente as que você desiste depois que a cabeça esfria. Tipo se vingar de quem te fodeu.

Veja bem, não sou nenhum mr. Vendeta. E acho que ninguém tem tempo pra isso. Mas já pensou que delícia seria se aquele chefe pilantra, aquele ex safado ou aquela amiga vigarista, recebesse o troco exatamente como você pensou?

Não falo de sangue, fratura ou morte (ou falo?). Digo em dar a mesma moeda para os que não tiveram pudor em passar por cima de você. Gentinha de lábia doce e alma cruel, que te mostrou que existe o lado negro da força.

No fundo, sabemos que a vida vai se encarregar dessa categoria. Mas se ela apressar as coisas para a gente poder saborear este momento, não seria nada ruim. Pois existem pratos que se comem frios, alguns mornos e outros quentes, beeem quentes.

Mondo bl@ckberry

novembro 18, 2009

–       Como foi o médico?

–       Curti. Atendimento super prime.

–       Particular né querido!? Vai de convênio para ver!?

–       Achei first class

–       Já viajou na primeira?

–       Nunca… Comparo sem referência. 

–       Li que o atendimento aqui é melhor que na Champs Elisée

–       O medico?

–       Não, o de loja. Tomba Milão. Mas perde pra Rodeo Drive.

–       Deve ser por isso que vivo no cheque especial.

–       Pois eu parei com tudo… Não posso gastar mais nem uma agulha.

–       Sei. E você está onde?

[silêncio ao fone]

– Na Oscar Freire… Mas olha, não é nada para mim…