Archive for the ‘comportamento’ Category

Desencanado

fevereiro 12, 2015

desencanado

Você faz o estilo desencanado né, me perguntou o xóvem. Fui meio-que-pego de surpresa enquanto tentava entender se aquilo tinha sido uma ironia  (já bem sabendo que era) e acabei concordando no automático, tipo uma gordinha que diz que está grávida mesmo sem estar.

Quando a roda se dissipou pedi um gin-tônica e refleti sobre o assunto. Fato! No who is who do mundo sócio-cosmopolita-hipster-metrossexual-paulistano, possivelmente você seria considerado uma criatura do tipo desencanada. E não é uma coleção de pulserinhas bacanuda que pode mudar esse veredicto.

No segundo gin-tônica você já começa a entender os porquês. Acontece que pra pessoas como você, é bem difícil ser estiloso sem deixar de ser prático. Afinal, nada te brocha mais do que gente que anda com álcool-gel na mochila e esteriliza tudo o que toca. Me pergunto como essa gente transa!

E antes que você comece a me imaginar na idade da pedra, faço aqui um parêntese. Estar asseado (tentei usar outra palavra mas não encontrei), vestido apropriadamente e saber a hora certa de falar, e principalmente, de não falar nada, não significa ter estilo mas educação.

O que me leva ao garoto no começo. Ele ter razão não exime a deselegância da opinião disfarçada de crítica, ainda mais quando você não conhece a pessoa. Eu poderia ter comentado que acho broxante homem de maquiagem. Mas como ele mesmo colocou, ainda bem que que eu estou na categoria dos desencanados e não dos francos.

O estranho mundo do vestiário masculino

fevereiro 4, 2015

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Vestiário de academia é um lance tenso. Magro, gordo, jovem, velho, ninguém fica confortável pelado num lugar lotado de espelho, luz branca e musiquinha de elevador. Não obstante, você ainda precisa lidar com aqueles personagens que deixam tudo ainda mais bizarro. Põe na tela:

O tiozão naturista. Aquela categoria de senhor que não tá nem aí e desfila bem a vontade pelo lugar brindando a todos com sua natureza senil-exuberante. Desconfio que o nosso plug-in do foda-se começa a rodar de verdade depois dos sessenta.

O manja rola. Aquele cara que passa mais tempo se secando dentro do vestiário que treinando na academia e fica de rabo (oi?) de olho manjando o pinto alheio. Reza a lenda que o cara nem gay é só tem essa… digamos assim, curiosidade.

O boleiro. Aquele tipo amigão que se troca enchendo o saco comentando sobre o campeonato paulista, brasileiro, europeu, libertadores, conmebol, ignorando o fato de que seu interesse é proporcional ao seu conhecimento de bola futebol, ou seja, nenhum.

O seguro de si. Aquele parça (sic) que se ama. Tem corpão, tattoozona, bundão, pintão. Ele é o máximo e sabe que todo mundo ali dentro (e lá fora, e no universo) quer ser ele, por isso anda peladão mesmo e fala com os brothers bem de pertinho, porque ele é macho e se garante.

O métro. Ele é metrossexual sim e desde que o assunto foi capa da GQ ele tem orgulho disso sim. Por isso, enfileira os produtos na pia sim e passa hidratante na perna de forma languida se olhando no espelho sim. Nas internas é chamado de Joãozinho do Secador.

Bairro de firma

julho 17, 2014

firma

No quesito urban fail poucos lugares ganham de São Paulo, uma cidade cheia de fenômenos urbanísticos de dar medo. Um deles é o bairro de firma, aquele lugar com alta concentração de escritórios e que por conta disso se tornam lugares hostis a pessoas com sistema nervoso fraco. Quatro maneiras de você reconhecer que está num bairro de firma:

Crachazismo. Tipo de TOC corporativo que leva a pessoa a ter orgulho de andar com o crachá no pescoço. Se um dia você se ver numa rua onde as pessoas estão todas sinalizadas com nome e cargo, caminhando numa velocidade acima do normal, batata, você está num bairro de firma.

Barreirinha humana. São aqueles grupinhos que trabalham juntos, saem juntos, almoçam juntos e andam blocadinhos fazendo barreiras humanas na calçada. E você fica atrás inalando fumaça (sim, eles fumam juntos também) tentando ultrapassar o povo. E quando você dribla uma, pá, tem outra lá na frente.

Quilo descontrol. Nada contra restaurante de quilo. Na verdade até simpatizo por conta do valor, o problema é quando você tem que almoçar com um cliente, uma paquera, ou algum amigo e só tem quilo no bairro. É puxado demais tentar manter o glamour com bandejinha na mão viu.

Sinal E. Pra mim o pior. Pois não há 3G que aguente (no Brasil, claro) a densidade demográfica dos bairros de firma somados a profusão de departamentos de TI. Qualquer dia desenvolvo uma úlcera tentando abrir apps de importância vital (alô, Instagram?) enquanto o fantasminha do sinal Edge tripudia na minha cabeça.

Mas louco, louco mesmo, é ver como estes bairros se transformam num paraíso nos finais de semana, sem trânsito, sem barreirinhas, sem cigarro e sem estresse. Se um dia um santo estender o final de semana para três dias, posso até pensar em cotar o Itaim ou a vila Olímpia para chamar de meu. Mas até lá…

Bearded

junho 25, 2014

barba Inverno em São Paulo é tempo de ousadia. Época deles falarem palavras como fondue e delas mostrarem seu senso de moda adquirido de blogueiras de moda + outlets estrangeiros. Inverno também é a época de suavizar a formalidade a favor do conforto deixando a barba crescer. Mas fique atento, a maioria por aí anda mirando no looking do viking sexy e acertando no mendigo craqueiro:

1a semana – Barba crescendo. Diria que é a melhor fase. Ignorar a gilete é a queima do sutiã do universo masculino. Exagerei? Tá, ok, mas que é libertador, isso é. E a gente ainda ganha 15 minutos para gastar com coisas mais importantes na vida. Tipo checar o Instagram ou jogar Perguntados.

2a semana – Barba tomando forma. É uma fase limbo, onda os pelos não f**** nem saem de cima. Nessa fase ‘cara de mendigo’ vale se vestir melhor para evitar a vendedora esnobe te medindo. Pois é! Estamos em 2014 e as pessoas julgam pela aparência sim, acostume-se.

3a semana – Barba preenchendo o rosto. Esta fase confirma que o lance é sério, você tá deixando crescer mesmo. A partir daqui você realiza que nem tudo são flores e que barba exige certos cuidados, tipo aparar e gastar com produtos. Sei que é difícil, mas evite a cara de bad boy em selfie.

4o semana – Barba grande. Você chegou lá. Pode solicitar seu freepass para o panteão dos lenhadores de boutique. Prepare-se para a condescendência dos hipster, o respeito dos brutos, a cobiça dos gays…

Agora, se a sua ideia foi pegar mulher, aí colega, errou rude. Simplesmente porque elas (pelo menos as que eu conheço) detestam barba e ouso dizer, têm até um nojinho. A não ser a do Beckhan (o David) ou do Brad (o Pitt). Não sendo você nenhum desses dois, vale usar por um tempinho pra pagar de hipster mas logo voltar pro seu visual antigo que você come mais mulher ganha mais.

Esquenta

abril 1, 2014

esquentaA noite em São Paulo é bem variada e nem sempre você encontra os amigos e conhecidos num lugar só. Pra cumprir esse papel, ou servir de aquecimento para as festas, é que existem os esquentas. Vamos a isso.

O convite. Não fique tenso se você foi convidado e não conhece ninguém. Os melhores esquentas fazem o mix de diferentes turmas. Pessoas interessantes e sobretudo solteiras são sempre bem-vindas. E o fato de você ser carne cara nova é justamente o motivo de estar lá.

O anfitrião. Pega mal topar com o dono da casa e ouvir dele: oi, quem é você? Chegando no esquenta a primeira coisa é cumprimentar o anfitrião, ou o dono, que nem sempre são a mesma pessoa. Caso você não conheça, peça pra ser apresentado.

O que levar. Tem aqueles onde você leva só a simpatia e outros que pedem uma bebidinha, gelo, etc. Se você for o acompanhante de um convidado, quem leva a birita (ou pede a você que leve) é ele. Particularmente, levar uma garrafa de espumante é elegante e confirma o seu welcome.

Quando vazar. Algumas vezes os esquentas são tão bacanas que você nem tem vontade de ir pra balada. Normal. Mas como o nome já diz esquenta é um warm-up, não seja o último a apagar a luz. Quando notar que geral está vazando, é a sua hora.

Como pegar. Pegar no esquenta não é legal. O combo gente íntima + bebida só vai fazer de você (desnecessariamente) o assunto da noite. Se pintar um clima troque telefone, Facebook de uns amassos no banheiro e deixe pra ficar de verdade na balada. Ou prum esquenta a dois longe dali.

Dar uma passadinha num esquenta é sempre uma boa pedida. Você encontra gente que não vê todo dia, põe o papo em dia e ainda periga topar com uma paquera que justifique sua Calvin Klein nova. Só não vale fazer como uns e outros por aí, que queimam a largada e transformam o aquecimento (o seu e o dele) num baldinho de água fria.

Como ser celeb na web

janeiro 22, 2014

celeb

Depois de passar meu reveillon aturando ouvindo os amigos #instastuds nas areias de Ipanema, que, entre uma bebida diet, light ou sem lactose, me agraciavam com seus conhecimentos sobre a vida (cof cof) decidi criar um guia de como você, cidadão comum, também pode se tornar uma celeb na web. Pega seu iphone, prepara o duckface e vem comigo:

• A primeira regra pra você virar um sucesso na web é: imagem é tudo. A segunda regra pra você virar um sucesso na web é: imagem é tudo. Isso significa postar fotos do seu melhor (??) nem que pra isso você precise da ajuda de um app editor, que, como eu ouvi, aumenta mas não inventa.

• Segunda regra, tire fotos com pessoas bonitas. Seus amigos não são bonitos? Tudo bem. Nem você é bonito? Tudo ótimo. Apele pro instrutor da gym, pra mocinha da venda, o importante é tirar fotos felizes com quem é.

• Poste coisas que mostrem que você é inteligente. Mesmo que você não saiba quem foi Mandela. Na dúvida, pegue qualquer link do hypeness.com, compartilhe, diga que você curte demais aquilo e bingo.

• Fotos de viagem são hit e mostram que você é viajado e culto. Se em 2013 você não foi nem até o Guarujá, use o truque da foto de um lugar incrível (Tailândia teve muita saída) + mensagem filosófica.

• Regra pra vida: nu sempre dá ibope. Fotos mostrando “sem querer” o abdômen, ou na piscina, ou na praia, são sinônimos de likes, adds, comments e cutuques. Se você não tá em boa forma, evite e foque no rostinho. Se você não tiver nem um nem outro, aí colega, faça como eu e deixe o assunto para os iniciados.

• Por fim, compre um buldogue francês e poste muitas fotos fofas com seu novo amiguinho. Seus pontos na escala da celebridade online vão subir vertiginosamente. Depois que passar a moda e você já tiver atingido seus cobiçados 1K no Insta, você vê o que faz com o bichinho.

PS: Se quiser deixa comigo, eu ganho um cachorro e você fica livre pra sua próxima meta em busca da fama online.

A body da vez

novembro 18, 2013

body

Sábado. Onze da manhã. Shopping Eldorado. O lugar mal abriu e a movimentação já é intensa no subsolo do prédio onde fica a unidade mais babadeira da Bodytech, a rede de malhação que é a nova queridinha da jeunesse dorée paulistana.

Na entrada da academia o design minimalista serve de aviso aos mortais de que o shopping lá fora (conhecido por ser popular) é uma coisa e lá dentro a história é outra. A assepsia casa perfeitamente com o mood blasé dos funcionários, que só olham pra você quando chacoalhados com força pelos ombros (hehe brinqs). Sorrisos? Em profusão, na$ aula$ particulare$.

Ainda assim a academia impressiona. A sala de aparelhos é um desbunde. Diria que está para Mulher do Belo como o paraíso estaria pra Eva. Com direito a muito Adão (a maioria acima de 1,90) e até da maçã (grátis, mas só na exclusiva sala de aulas privadas). As esteiras, todas suspensas, são viradas pro salão facilitando o ver e ser visto, praticado com habilidade por mocinhas de moda esportiva e tiozões de gola V. A maioria de gel e chicletinho.

Enquanto você se familiariza com o ambiente, confere dez vezes se a roupa tá boa, se você tá suando demais, se a berma enfiou na bunda. Mal lembra que está ali pra treinar. Tudo piora quando passa um ex BBB do seu lado e você tem a certeza de que em algum momento da criação ele roubou o corpo que era pra ter sido seu. Dammit.

Treino completo, no caminho de casa você faz uma avaliação e se pergunta em que mundo estava quando malhar virou aquilo. Paciência, verão chegou e entre encarar a cara de koo do povo ou a cara de desgosto do paquera, vendo você de sunga na praia, prefiro a primeira. Não aguenta, pede leite. Desnatado, claro.

Ooops, exagerei!

junho 19, 2013

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Sim, a gente é do tipo que curte ficar louco. Só que às vezes a gente exagera. E se quando você era adolescente isso era fofo, hoje é cafona. Por isso, seguem diquinhas do que fazer quando você realizar que, ooops, passou do ponto.

Primeiro de tudo, parabéns. Ter ciência que você exagerou ao invés de continuar bebendo todas até cair no baixo Augusta e acordar com um vira lata lambendo a sua cara, é o primeiro sinal de que você não é um caso perdido.

Realizado seu estado, a próxima coisa é uma saída estratégica. Sim. Vazar, sumir, riscar o chão. Ah, você estava paquerando alguém? Colega, nada mais broxante que bêbado tentando sensualizar. Aceita! Suma e se desculpe no outro dia. Melhor um mistério no ar do que seu almoço low carbs no chão.

Dica importantíssima, evite deitar. Deitar louco é tipo tomar a pílula vermelha da Matrix. Tudo vai girar e você pode sair dessa dimensão. De repente, até acordar numa sala escura com um negão que tem pouquíssimas chances de se chamar Morpheus.

Por fim, peça uma coca. A preta colega, a de tomar. Sim, a gente sabe que Coca-cola arrasa a dieta, mas cura que é uma beleza. Também serve água. Que no caso dos meus amigos, funciona muito melhor na cara do que na boca.

Por fim, repita o mantra: não vou beber tipo adolescente de novo, não vou beber tipo adolescente de novo… Não que a gente acredite nisso, mas ajuda a manter o foco até o táxi chegar em casa. Depois é só se jogar na cama. E claro, torcer pra não aparecer tagueado numa foto queima filme no dia seguinte.

O carnaval a boca pequena

fevereiro 19, 2013

ipanema

Daí que o carnaval se foi. Com ele, a reputação que a gente jurava que tinha. Floripa, Rio ou Salvador o que não faltou foi assunto praquele tipo de mídia que não poupa ninguém, o da boca pequena. O que eu ouvi por aí?

Que a grande atração das festas em Floripa não foi nem o DJ, nem o local, nem a infra, mas a mata em volta.

Que no rio, o nível de civilidade da Banda de Ipanema tava pau a pau (oi) com a pipoca do bloco Crocodilo, da Daniela … Que de onde eu vi, parecia uma cena da Ilha do Doutor Moreau (Google).

Que a quantidade de substância tóxica (chamemos assim) que o povo descarregou em Floripa dava pra matar os mosquitos de Ilha Bela (SP) por um ano.

Que pela 1a vez São Paulo surpreendeu pelos bloquinhos. Pela chatice, não.

Que a coisa, mais coisa com coisa, que o povo no Rio dizia era: tô no carro da iguana.

Que em Olinda, um frequentador dum badalado estúdio de personal, na rua Consolação, estava caído na rua vestido de odalisca (rs amo. Bêjo no coração seja lá quem você for).

Que no Rio, o turbante liberou (entenda como quiser essa info).

Que nos moto-táxis de Savador só tinha a opção com emoção (idem item acima).

Que a enfermaria da TW Sul a faixa etária parava no ensino fundamental. E que lotou da classe to-da.

E que a inveja é uma merda … Portanto, se você curtiu, causou e fez valer esse feriado, que será um dos poucos este ano, tá de parabéns. Carnaval taí pra isso e como diria Lulu (no caso, o Santos) vamos nos permitir. Que o ano finalmente comece.

Festa, festão, festinha

dezembro 11, 2012

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A noite de Sampa, conhecida por festonas, hoje vive seu hype de festinhas. São elas que têm injetado na cena um ar de novidade e na gente uma vontade de pôr um Vans e sair. Se você não estava fora do Brasil nos últimos meses (ju-ra!) é impossível não ter ouvido falar de nenhuma delas.

Green Sunset. Disputada matinê no coração do Jardim Europa mais conhecida como “a festa do MIS”, sempre com um DJ maneiro e um mix saudável de gente (amo/sou) zona sul. Dizem que já teve dias melhores.

Quando: de 15 em 15 dias no MIS. Quem vai: meninos, meninas, menines. 

Cine Jóia. Foi um cine no centro e hoje é uma casa de shows que virou palco de festas bacanudas. Ali o fundamento é o carão. Entenda como festa pra olhar, sorrir, trocar uma palavra ou no máximo um fone. Aceita.

Quando: conferir programação. Quem vai: hispters, héteros modernos, meninas estilosas. 

Festa Javali: festa conceito criada por publicitários, num casarão com bastante identidade no centro. O fundamento loucurinha permite tocar diumtudo, de Maria Alcina a The Killers, com apoteose marcada por uma esperada chuva de balões.

Quando: dia 14 tem uma. Quem vai: publicitários, designers, boys & girls modernos.   

Santo Forte. Festa com levada zazauera, pra quem gosta de hits nacionais ‘das antiga’. Meu irmão deu a melhor definição que eu já ouvi da festa: “essas mina tão com cara de que não depilam”. Falar o quê depois dessa?

Quando: conferir programação. Quem vai: gente que faz ou fez USP, meninas de saia rodada e homens de sandália de couro. 

[PS: o assunto desse post foi sugerido pelo twitter.com/victor_calazans]

update: olha que tudo o video da Javali de sexta. Bóra tá indo?