Archive for the ‘noite’ Category

Esquenta

abril 1, 2014

esquentaA noite em São Paulo é bem variada e nem sempre você encontra os amigos e conhecidos num lugar só. Pra cumprir esse papel, ou servir de aquecimento para as festas, é que existem os esquentas. Vamos a isso.

O convite. Não fique tenso se você foi convidado e não conhece ninguém. Os melhores esquentas fazem o mix de diferentes turmas. Pessoas interessantes e sobretudo solteiras são sempre bem-vindas. E o fato de você ser carne cara nova é justamente o motivo de estar lá.

O anfitrião. Pega mal topar com o dono da casa e ouvir dele: oi, quem é você? Chegando no esquenta a primeira coisa é cumprimentar o anfitrião, ou o dono, que nem sempre são a mesma pessoa. Caso você não conheça, peça pra ser apresentado.

O que levar. Tem aqueles onde você leva só a simpatia e outros que pedem uma bebidinha, gelo, etc. Se você for o acompanhante de um convidado, quem leva a birita (ou pede a você que leve) é ele. Particularmente, levar uma garrafa de espumante é elegante e confirma o seu welcome.

Quando vazar. Algumas vezes os esquentas são tão bacanas que você nem tem vontade de ir pra balada. Normal. Mas como o nome já diz esquenta é um warm-up, não seja o último a apagar a luz. Quando notar que geral está vazando, é a sua hora.

Como pegar. Pegar no esquenta não é legal. O combo gente íntima + bebida só vai fazer de você (desnecessariamente) o assunto da noite. Se pintar um clima troque telefone, Facebook de uns amassos no banheiro e deixe pra ficar de verdade na balada. Ou prum esquenta a dois longe dali.

Dar uma passadinha num esquenta é sempre uma boa pedida. Você encontra gente que não vê todo dia, põe o papo em dia e ainda periga topar com uma paquera que justifique sua Calvin Klein nova. Só não vale fazer como uns e outros por aí, que queimam a largada e transformam o aquecimento (o seu e o dele) num baldinho de água fria.

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Ooops, exagerei!

junho 19, 2013

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Sim, a gente é do tipo que curte ficar louco. Só que às vezes a gente exagera. E se quando você era adolescente isso era fofo, hoje é cafona. Por isso, seguem diquinhas do que fazer quando você realizar que, ooops, passou do ponto.

Primeiro de tudo, parabéns. Ter ciência que você exagerou ao invés de continuar bebendo todas até cair no baixo Augusta e acordar com um vira lata lambendo a sua cara, é o primeiro sinal de que você não é um caso perdido.

Realizado seu estado, a próxima coisa é uma saída estratégica. Sim. Vazar, sumir, riscar o chão. Ah, você estava paquerando alguém? Colega, nada mais broxante que bêbado tentando sensualizar. Aceita! Suma e se desculpe no outro dia. Melhor um mistério no ar do que seu almoço low carbs no chão.

Dica importantíssima, evite deitar. Deitar louco é tipo tomar a pílula vermelha da Matrix. Tudo vai girar e você pode sair dessa dimensão. De repente, até acordar numa sala escura com um negão que tem pouquíssimas chances de se chamar Morpheus.

Por fim, peça uma coca. A preta colega, a de tomar. Sim, a gente sabe que Coca-cola arrasa a dieta, mas cura que é uma beleza. Também serve água. Que no caso dos meus amigos, funciona muito melhor na cara do que na boca.

Por fim, repita o mantra: não vou beber tipo adolescente de novo, não vou beber tipo adolescente de novo… Não que a gente acredite nisso, mas ajuda a manter o foco até o táxi chegar em casa. Depois é só se jogar na cama. E claro, torcer pra não aparecer tagueado numa foto queima filme no dia seguinte.

Festa, festão, festinha

dezembro 11, 2012

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A noite de Sampa, conhecida por festonas, hoje vive seu hype de festinhas. São elas que têm injetado na cena um ar de novidade e na gente uma vontade de pôr um Vans e sair. Se você não estava fora do Brasil nos últimos meses (ju-ra!) é impossível não ter ouvido falar de nenhuma delas.

Green Sunset. Disputada matinê no coração do Jardim Europa mais conhecida como “a festa do MIS”, sempre com um DJ maneiro e um mix saudável de gente (amo/sou) zona sul. Dizem que já teve dias melhores.

Quando: de 15 em 15 dias no MIS. Quem vai: meninos, meninas, menines. 

Cine Jóia. Foi um cine no centro e hoje é uma casa de shows que virou palco de festas bacanudas. Ali o fundamento é o carão. Entenda como festa pra olhar, sorrir, trocar uma palavra ou no máximo um fone. Aceita.

Quando: conferir programação. Quem vai: hispters, héteros modernos, meninas estilosas. 

Festa Javali: festa conceito criada por publicitários, num casarão com bastante identidade no centro. O fundamento loucurinha permite tocar diumtudo, de Maria Alcina a The Killers, com apoteose marcada por uma esperada chuva de balões.

Quando: dia 14 tem uma. Quem vai: publicitários, designers, boys & girls modernos.   

Santo Forte. Festa com levada zazauera, pra quem gosta de hits nacionais ‘das antiga’. Meu irmão deu a melhor definição que eu já ouvi da festa: “essas mina tão com cara de que não depilam”. Falar o quê depois dessa?

Quando: conferir programação. Quem vai: gente que faz ou fez USP, meninas de saia rodada e homens de sandália de couro. 

[PS: o assunto desse post foi sugerido pelo twitter.com/victor_calazans]

update: olha que tudo o video da Javali de sexta. Bóra tá indo? 

Balada no inverno

agosto 8, 2012

[Seguindo a linha do post anterior, borá falar sobre balada… Só que no inverno].

Sim, chegou o finde. E sim, está um frio da porra. Mas a gente sabe que mesmo se estivesse caindo o céu (alô Bispa Sônia), ainda assim você ia se jogar na balada. Logo, vamos abordar os itens que merecem sua atenção na estação.

‘O que vestir’ encabeça a lista, por motivos óbvios. Afinal, no inverno você tem que pensar no que usar e no que usar por cima do que usar. Nessa hora queria ser um ser evoluído que veste o que tiver e OK. Mas não trabalhamos com isso.

Outro item é a logística do local. Tem valet? A fila é na rua? Tem espaço aberto? Tem chapelaria? Aliás, bom lembrar, chapelaria em SP não é garantia de conforto. A fila é gigante, eles lotam rápido e na saída as vezes é melhor voltar no outro dia pra buscar.

Outro item é a birita. Adoro cerveja, mas pedir uma nesse frio dá efeito frozen brain. O problema é que a gente enche a cara de vódega importada e scotch sem gelo e quando vai pagar comanda é obrigado a deixar um olho e duas falanges.

Por fim, o aquecedor. Não bobinho, não é o aparelho, é o corpo que você vai levar pra casa. Afinal, a gente não se perfuma e sai no frio só pelos amigos. Pra isso tem o Facebook. E como geral está com muita roupa, dobre a atenção pra não levar gato por lebre. Daí  é sorrir bastante e fazer um brinde ao José, no caso, o Cuervo.

Festival Sonar

maio 16, 2012

São Paulo, dez da noite. Dirigindo para a 2a edição do Sonar, no Anhembi, você estranha a falta do tumulto na porta. Tudo é tão civilizado que até o cambista tem cartão de visita, “pra eventos futuros”, explica ele.

Lá dentro, modernos das mais variadas procedências desfilam seus alargadores de orelha entre 3 palcos: um no pavilhão de eventos, um no auditório e o terceiro, inusitado, escondido atrás de uma cortina preta, para se assistir em cadeiras.

No palco maior você procura pelo Cee Lo Green. Te explicam que ele saiu (oi?) e deixou convidados cantando. Cee Lo volta, canta Fuck You (a única música que você gosta conhece) e vai embora. Pelo menos já dá para falar que a gente viu, sentencia a amiga.

Mas o que 10 em cada 10 pessoas aguardavam ansiosamente era o Justice, um tipo de Black Eyed Peas dos hipster. Minutos para começar o show o pavilhão lota. Duplas, trios, turmas, correm de mãos dadas em direção ao palco, decorado com uma cruz iluminada.

O Justice entra. E samba de all-star fluo na cara da sociedade hispter. Alguns fãs cantam e gestualizam as letras, num tipo de histeria cool.  O show é memorável e, pra alegria do festival, faz geral esquecer a desistência de última hora da Bjork.

O show acaba. Todos resolvem ir para outra pista e você para a sua casa. Enquanto dirige de volta, chega a conclusão que se todo evento moderninho for assim, organizado, vazio e acabar cedo, vale a pena comprar uma jaqueta de náilon e fingir que OK GO é legal. Que venham os próximos.

Etiqueta hétero pra balada gay

abril 26, 2012

Se você mora em SP e curte balada, cedo ou tarde vai parar num clube gay, simplesmente porque é lá que rolam as melhores noites da cidade. Mas como fazer na 1a vez?

Primeiro de tudo, relaxe. Não é porque você está ali que todo mundo quer te comer. Se você for bonito alguns até vão querer. Mas essas histórias de passar mão na bunda, etc, são lendas urbanas. Se você for feio, bom, nem precisa se preocupar.

Existem lugares onde os gays são mais caricatos e outros onde eles são como você, seu irmão, seu amigo, gente normal. Não se ofenda se alguém flertar com você. Isso não significa que você é afeminado (bom… acho…) apenas interessante. Basta mostrar que você não está a fim, da mesma forma que faria se fosse uma mulher feia.

Ponto importante: banheiro de lugar gay geralmente é unisex. Tem travesti, sapatão, gay anão, parece um filme do Star Wars. Sem desespero. Espere para usar a cabine normalmente. Se for usar o mictório não fique olhando pros lados, pode ser entendido de outra forma e você acabar vendo mais informação do que gostaria.

Certos comportamentos que chocam os outros são super aceitos em clubes gays. Tem gente sem camiseta, pegação na pista e drogas também. Se você ver alguém dividindo uma pílula, já sabe, cara de ‘nada’. E como você não tem doze anos, nem preciso dizer para não aceitar nada de ninguém, nunca.

Por fim, segure a onda. Neguinho (e isso vale para as meninas) chega na balada e vê tanta liberdade e perde a linha, como se tivesse numa micareta em Berlim. Depois, acaba fazendo merda e põe a culpa na bebida. Lembre daquele famoso ditado que diz que “… de bêbado não tem dono”.

Lugar da moda

janeiro 23, 2012

Quinta, onze da noite. Numa travessa do Itaim você espera o manobra. Sim senhor o café é aqui mesmo, diz ele tentado controlar a formação duma fila tripla. O café, no caso, chama-se Nagayama, reduto de 9 em cada 10 yuppies paulistanos.

Curiosamente, de café o lugar não tem nada. O espaço se resume a um retângulo escuro lotado de mesas, onde clientes e staff se espremem num cerimonial complexo. Tudo isso ladeado por caixas de som num volume nada ambiente.

Cheguei cedo para pegar lugar, diz sua amiga bem a vontade. Você, saído do academia e morto de fome, só ri quando o garçom sugere 4 fatias de atum. Colega, só me volte aqui com vinte fatias e um saquê bem gelado.

A competição pela mesinha mais animada é pesada. Boys do mercado financeiro gargalham com Stellas em punho, publicitárias de Blackberry brindam seus cosmos e moças de meia-idade calibram o flerte com caipirinha de lichia.

Depois de várias tentativas você e sua amiga decidem conversar na rua. Ufa, viva a paz e o silêncio do trânsito paulistano. O papo finalmente rola solto. Ao final, beijos, abraços e a conta salgada, como era de esperar.

Moral da historia, freqüentar lugar pra ver e ser visto tem seu preço. O problema não é o quanto ele onera a sua carteira, mas a sua paciência.

O Playboy gay

dezembro 2, 2011

 

[seguinte, tô em Bangkok dando um close na Ásia (sério!) pra não ficar as moscas aqui, tunguei um post do meu antigo blog que eu acho pertinente nos dias de hoje. Assim q voltar escrevo algo daqui da thailândia. vamos ao post:]

O Playboy gay é um ser comum no agitado night life paulistano. Aquele cara que está sempre na estica, usa lançamentos da estação, aparece nas fotos ao lado de gente in, mas chama a atenção para um detalhe curioso: ele não é gay!

Sim colega, o playboy gay não é gay. O fenômeno se explica pelo fato desse cara ter incorporado no seu life style elementos que, a princípio, seriam definidos como 100% gays por qualquer pessoa normal (oi?).

Logo, um cara sarado de gola V decotada, cabelo com luzes, numa camisa estampada D&G e de jeans bem justo pode, sim senhor, estar olhando pra sua amiga e não pra você naquela festa.

E tenho uma amiga que tem um amigo desses e diz que o cara até pra surfar demora 30min se arrumando na areia. Curiosamente eles sempre estão acompanhados de modelos, que a gente não sabe se são amigas de salão, ou de talão.

Mas é isso aí mesmo. Hoje o mundo tá mais confuso e isso reflete no modo da galera agir, vestir, sair e afins. Parece que isso se potencializa em São Paulo, onde muita gente (propositalmente, ou não) insiste em parecer algo que muitas vezes não é.

Festa hype

agosto 11, 2011

Salvo exceções, a única emoção de festa hype costuma vir do quiosque de caipirinhas. Mas se você prestar atenção direitinho no cerimonial da cafonalha galera diferenciada, dá até para pontuar.

Primeiro, festa hype não se chega em turma. No máximo um amigo, do tipo que não dá vexame. Porque os meus, por ex, bebem demais e terminam catando alguém do staff no banheiro (mas quem nunca?).

Também não vale confundir hype com animada. Descer até o chão nem se o brinco cair. E mesmo que sua geladeira esteja uma solidão só, desencane de comer. Não há sexy-appeal que resista a boca mastigando. Hálito listerine paixão seeempre, colega.

Estando no inferno abrace o capeta. Beba, circule, só evite as rodinhas nos privativos (aka de padê*). Abra os trabalhos com um drink (pra espantar timidez) e reveze a cara de cu (pra geral) com a cara de fofo (pras paqueras). Dentes feio? Cara de mistério, que tem seu elãn.

Por fim, se você não chegou de Maserati não dá para querer sair de lá com um avião. Paquere alguém que você dê conta, afinal, mais vale um prosseco na mão que dois voando. Daí é só deixar o tempo correr (quédizê, a bebida subir) e, como se diz, bon bonne chance.

 

* se você precisa de explicação do que é padê, confia em mim, melhor trocar de blog. 

Alôoca

fevereiro 3, 2011

Alôca é aquele tipo de clube fenômeno que só tem em São Paulo.

A hostess é uma trava, a MC é vesga, o staff mal-educado e o lugar um buraco. Ainda por cima é caro pra entrar, beber e estacionar. Mas tente entrar meia-noite de domingo. A fila é gigante e periga você ficar de fora.

Para entender Alôca tem que entender o atual momento da noite na cidade, repleta de clubes desastrosos, playboys prepotentes, ninfetinhas da vida fácil e lâmpadas fluorescentes voadoras.

Nesse cenário, Alôca se diferencia por juntar há anos na mesma pistinha héteros e gays, drogados e caretas, velhos e novos, tudo numa náice. E seu balcão de bebidas só perde em ecletismo (e exotismo) pro bar do filme Star Wars.

O som é outro forte diferencial da casa. Pense em bandas extintas, hits de vitrola, sucessos hipsters, anos oitenta, anos noventa, Britney Spears, top 10 Billboard, tudo junto misturado. Impossível não se render.

Claro que um lugar assim polariza opiniões. Uns saem de lá querendo encher o buraco de Napalm. Outros, defendem que depois de uma vodka gelada, uma cantada cafona e um hit do Morrissey, não existe lugar melhor para se estar.