Archive for the ‘por aí’ Category

Desencanado

fevereiro 12, 2015

desencanado

Você faz o estilo desencanado né, me perguntou o xóvem. Fui meio-que-pego de surpresa enquanto tentava entender se aquilo tinha sido uma ironia  (já bem sabendo que era) e acabei concordando no automático, tipo uma gordinha que diz que está grávida mesmo sem estar.

Quando a roda se dissipou pedi um gin-tônica e refleti sobre o assunto. Fato! No who is who do mundo sócio-cosmopolita-hipster-metrossexual-paulistano, possivelmente você seria considerado uma criatura do tipo desencanada. E não é uma coleção de pulserinhas bacanuda que pode mudar esse veredicto.

No segundo gin-tônica você já começa a entender os porquês. Acontece que pra pessoas como você, é bem difícil ser estiloso sem deixar de ser prático. Afinal, nada te brocha mais do que gente que anda com álcool-gel na mochila e esteriliza tudo o que toca. Me pergunto como essa gente transa!

E antes que você comece a me imaginar na idade da pedra, faço aqui um parêntese. Estar asseado (tentei usar outra palavra mas não encontrei), vestido apropriadamente e saber a hora certa de falar, e principalmente, de não falar nada, não significa ter estilo mas educação.

O que me leva ao garoto no começo. Ele ter razão não exime a deselegância da opinião disfarçada de crítica, ainda mais quando você não conhece a pessoa. Eu poderia ter comentado que acho broxante homem de maquiagem. Mas como ele mesmo colocou, ainda bem que que eu estou na categoria dos desencanados e não dos francos.

Pequenos prazeres

janeiro 13, 2015

rain

Quando a gente chega aos trinta aprende a dar valor aos pequenos prazeres. O que são pequenos prazeres? Transar pela manhã por exemplo não é um pequeno prazer. Mesmo que seja uma foda transa meia boca tudo que envolve uma segunda pessoa não dá pra categorizar pequeno.

Pequeno são aqueles prazeres que você tem sozinho. Transar consigo mesmo pode ser encarado como pequeno? Pode. Mas isso é algo que está sempre a mão (#trocadilhobaratodetected) e o que está em pauta é justamente o que você não tem mais.

Tipo sair do trabalho com o sol brilhando. Quem que consegue fazer isso? Eu que não, nem em horário de verão. E quando isso acontece saio me achando a última Oreo do pacote e cantando Aint No Mountain High Enough.

Malhar de tarde, pegar piscina, usar moletom, tirar a camiseta no calor. Ponto de atenção aqui hein, em São Paulo só tem 2 lugares onde você é melhor bem visto sem camiseta do que com, no parque do Ibirapuera ou na boate The Week.

E tomar um café lendo um livro sem se preocupar com a hora? Esse está nos meus top 10 pequenos grandes prazeres. Aliás esqueça o livro, a moda hoje é tomar café com um notebook. Perco o foco total com aquele monte de tela acesa. E a vontade de catar o que o colega tá acessando?!

Virar adulto traz muita coisa boa. Independência, bloody marys, levar desconhecidos para casa. Mas tem dias que a gente se dá conta do que a gente não tem mais e da ironia disso tudo, afinal, se hoje você não tem tempo é justamente para bancar os prazeres que você julgava grandes.

Esquenta

abril 1, 2014

esquentaA noite em São Paulo é bem variada e nem sempre você encontra os amigos e conhecidos num lugar só. Pra cumprir esse papel, ou servir de aquecimento para as festas, é que existem os esquentas. Vamos a isso.

O convite. Não fique tenso se você foi convidado e não conhece ninguém. Os melhores esquentas fazem o mix de diferentes turmas. Pessoas interessantes e sobretudo solteiras são sempre bem-vindas. E o fato de você ser carne cara nova é justamente o motivo de estar lá.

O anfitrião. Pega mal topar com o dono da casa e ouvir dele: oi, quem é você? Chegando no esquenta a primeira coisa é cumprimentar o anfitrião, ou o dono, que nem sempre são a mesma pessoa. Caso você não conheça, peça pra ser apresentado.

O que levar. Tem aqueles onde você leva só a simpatia e outros que pedem uma bebidinha, gelo, etc. Se você for o acompanhante de um convidado, quem leva a birita (ou pede a você que leve) é ele. Particularmente, levar uma garrafa de espumante é elegante e confirma o seu welcome.

Quando vazar. Algumas vezes os esquentas são tão bacanas que você nem tem vontade de ir pra balada. Normal. Mas como o nome já diz esquenta é um warm-up, não seja o último a apagar a luz. Quando notar que geral está vazando, é a sua hora.

Como pegar. Pegar no esquenta não é legal. O combo gente íntima + bebida só vai fazer de você (desnecessariamente) o assunto da noite. Se pintar um clima troque telefone, Facebook de uns amassos no banheiro e deixe pra ficar de verdade na balada. Ou prum esquenta a dois longe dali.

Dar uma passadinha num esquenta é sempre uma boa pedida. Você encontra gente que não vê todo dia, põe o papo em dia e ainda periga topar com uma paquera que justifique sua Calvin Klein nova. Só não vale fazer como uns e outros por aí, que queimam a largada e transformam o aquecimento (o seu e o dele) num baldinho de água fria.

Ooops, exagerei!

junho 19, 2013

momento2

Sim, a gente é do tipo que curte ficar louco. Só que às vezes a gente exagera. E se quando você era adolescente isso era fofo, hoje é cafona. Por isso, seguem diquinhas do que fazer quando você realizar que, ooops, passou do ponto.

Primeiro de tudo, parabéns. Ter ciência que você exagerou ao invés de continuar bebendo todas até cair no baixo Augusta e acordar com um vira lata lambendo a sua cara, é o primeiro sinal de que você não é um caso perdido.

Realizado seu estado, a próxima coisa é uma saída estratégica. Sim. Vazar, sumir, riscar o chão. Ah, você estava paquerando alguém? Colega, nada mais broxante que bêbado tentando sensualizar. Aceita! Suma e se desculpe no outro dia. Melhor um mistério no ar do que seu almoço low carbs no chão.

Dica importantíssima, evite deitar. Deitar louco é tipo tomar a pílula vermelha da Matrix. Tudo vai girar e você pode sair dessa dimensão. De repente, até acordar numa sala escura com um negão que tem pouquíssimas chances de se chamar Morpheus.

Por fim, peça uma coca. A preta colega, a de tomar. Sim, a gente sabe que Coca-cola arrasa a dieta, mas cura que é uma beleza. Também serve água. Que no caso dos meus amigos, funciona muito melhor na cara do que na boca.

Por fim, repita o mantra: não vou beber tipo adolescente de novo, não vou beber tipo adolescente de novo… Não que a gente acredite nisso, mas ajuda a manter o foco até o táxi chegar em casa. Depois é só se jogar na cama. E claro, torcer pra não aparecer tagueado numa foto queima filme no dia seguinte.

Modismo grego

setembro 28, 2012

Prometi posts da viagem mas estava pegando ocupado e só tive contato com a web pra fomentar a inveja alheia via Instagram. E agora acho que o assunto viagem datou. Mas borá falar dos modismos de lá, já que reparei muita coisa boa (amém) mas também muita coisa estranha. Vamos a isso:

Cachecol rulê. Começou com os italianos (meio uma praga na ilha) e virou hit. Pois o lance era que, num calor da pourra, os caras torciam um cachecol e enrolavam no pescoço, igual imobilizador cervical. Geral usava, tipo flash mob.

Perna depilada. Sim, você leu certo. Outro modismo que chegou com os italianos. Diz que eles valorizam perna lisa e hiper bronzeada. Daí pergunto, e masculinidade? Cadê valor nessa escala?

Sunga speedo. Pra falar disso, vale dizer que não existe moda praia na Europa, cada um usa o que quiser (isso quando usa). Mas sunga fina do lado não fica bem nem num deus grego, quiça numa criatura normal.

Tênis botinha. Não sou um cara féshion e não sei o que é in ou não (até porque gosto é que nem cu e cada um tem o seu) mas era muito estranho ver, naquele ambiente, aquela bando de cano alto em tom amarelo, prata, dourado ou flúor (e a areia gent?).

Daí que você olha a lista acima e pensa: véi, na boua, tudo bixoooona. Pois olho nos teus olhos (via web cam) e te digo com toda sinceridade (cof cof) que, tirando o tênis botinha, era tudo modismo hétero. Pois é colega, Europa é assim, o povo é aprumado, tem passaporte vermelho, mas exerce essa conduta. Minha dica é fazer que nem quando a conta chegava na mesa do bar, aceita. E fim.

A ponte (no caso, aérea)

junho 26, 2012

Quem gosta do Rio de Janeiro como a gente, tem que estar escolado a evitar situações que podem transformar uma ponte RJ/SP num desastre aéreo. Tipo?

Nunca jamais never viaje confortável despojado. Outro dia, vi na TV um cara dizendo que roupas confortáveis podem salvar você num flight disaster. Besteira. Desastre é sair por aí de moletom e sandália croc. Regra pra vida: em aeroportos ligue o “modo gato’, sempre.

O Rio não é Ibiza e você não é Carrie Bradshaw. Sei que é duro ouvir isso mas o estilo malvino-salvadorismo (panamá + jeans + Havaianas) só fica bom no Malvino. E olhe lá. E como nunca é tarde pra dizer, bermuda do surf, só na areia.

Esperar uma mala na esteira pode durar o tempo dum voo. Sei que é difícil, sei que é osso, mas se você não aprender a compactar uma mala para um final de semana, você não é ninguém no mundo moderno. Aprenda essa e nunca mais despache na vida.

Aeroportos são imprevisíveis. Ao invés de levar uma gilete e ameaçar se matar no guichê da TAM (brinqs, q eu sei que você vai de Webjet) no caso de atraso, muna-se de um celular 3G e um bom livro que você muda o destino de uma nação. Bom, pelo menos da nação que habita seu corpo.

Por fim, mantenha o bom humor. Lembre-se de que você está só numa ponte aérea, outros podem estar na segunda ou terceira escala, vindo sabe-se lá de onde. Sorrir abre portas, facilita favores e faz brotar telefones anotados em notinhas amarelas da Cielo. Se por ventura isso te acontecer (tá vendo a importância do item anterior?) faça o tempo passar navegando no Facebook alheio… E boa viagem.

Festival Sonar

maio 16, 2012

São Paulo, dez da noite. Dirigindo para a 2a edição do Sonar, no Anhembi, você estranha a falta do tumulto na porta. Tudo é tão civilizado que até o cambista tem cartão de visita, “pra eventos futuros”, explica ele.

Lá dentro, modernos das mais variadas procedências desfilam seus alargadores de orelha entre 3 palcos: um no pavilhão de eventos, um no auditório e o terceiro, inusitado, escondido atrás de uma cortina preta, para se assistir em cadeiras.

No palco maior você procura pelo Cee Lo Green. Te explicam que ele saiu (oi?) e deixou convidados cantando. Cee Lo volta, canta Fuck You (a única música que você gosta conhece) e vai embora. Pelo menos já dá para falar que a gente viu, sentencia a amiga.

Mas o que 10 em cada 10 pessoas aguardavam ansiosamente era o Justice, um tipo de Black Eyed Peas dos hipster. Minutos para começar o show o pavilhão lota. Duplas, trios, turmas, correm de mãos dadas em direção ao palco, decorado com uma cruz iluminada.

O Justice entra. E samba de all-star fluo na cara da sociedade hispter. Alguns fãs cantam e gestualizam as letras, num tipo de histeria cool.  O show é memorável e, pra alegria do festival, faz geral esquecer a desistência de última hora da Bjork.

O show acaba. Todos resolvem ir para outra pista e você para a sua casa. Enquanto dirige de volta, chega a conclusão que se todo evento moderninho for assim, organizado, vazio e acabar cedo, vale a pena comprar uma jaqueta de náilon e fingir que OK GO é legal. Que venham os próximos.

Gente estranha

março 27, 2012

ImagemPeople are strange, disse o Jim. E bota strange nisso.  E em alguns casos, o melhor a fazer é sair de perto. Alguns exemplos:

A tia gorda louca. Aquela tia carente que puxa papo na rua. Num 1o olhar ela parece normal, até não falar coisa com coisa. Primeiro a gente responde, depois ignora e, diante da insistência, vai embora. Tenho dó, mas já lido com tanto pirado que no tempo livre quero sossego.

O bêbado chato. Vai da depressão a agressividade numa taça de prosseco. Não confundir com a sua namorada no fim do mês, isso é TPM. Já conheci muito bêbado engraçado e quero que eles sejam felizes, mas num boteco bem longe de mim.

O militante. Pior do que o bêbado, porque consegue ser chato mesmo sóbrio. Defende o verde, enche seu Facebook com cachorrinhos abandonados e milita pelo PT. Você até pode achar normal, mas pra mim gente assim é patologia.

O xavequeiro sem noção. Você está na sua e chega ele, todo sedução: rabo de cavalo, tetinhas, brinquinho. Você dispensa, ignora, trata mal e o cara lá, insistindo. Coragem eles têm, admito (e admiro) o que falta é semancol.

A pessoa sincera. Não é seu amigo, parente, nada seu. Vocês mal se conhecem até que ele comeca a querer te ‘dar uns toques’, gongando sua aparência, profissão, vida pessoal. O ideal seria eliminar, com requintes de tortura. Na impossibilidade, saia de perto.

Finalizo com uma dica duma amiga, que disse que pra gente descobrir se a pessoa é louca, louca mesmo, basta bater palmas. Se a pessoa começar a dançar, é batata. Louquíssima. Daí uma vez fiz isso… Mas a pessoa assustada saiu do lado, provavelmente me tirando de louco, claro.

Bangkok

dezembro 19, 2011

Dois amigos procuravam companhia pra fechar uma trip, minhas férias estavam para vencer e estava um frio de matar na Europa. Somei os três fatores e pá, um mês depois desembarcava no que seria o divisor de águas do que eu conhecia por viagem, a Tailândia.

Chegar em Bangkok é osso mas é superável, difícil mesmo é controlar a ansiedade. Mas tudo se esvai ao aterrissar naquela cidade enorme e colorida. De um lado você vê um sky trem e viadutos de 3 andares, e do outro encontra mercados flutuantes e feiras que vendem gafanhoto frito.

E os templos? São de tirar o fôlego. Os três principais são o da Alvorada, na beira do rio, uma coisa indescritível, o do Buda deitado e o do Buda Esmeralda, no bairro onde mora o Rei e onde homem não entra de bermuda nem mulher de saia.

Mas nem tudo é só sagrado. O profano está presente nos bairros de prostituição ou nos ping pong shows onde a mulherada faz miséria com a xoxota. A ambiguidade local se confirma no fenômeno dos lady boys, meninos que se vestem como meninas e convivem na sociedade de forma muito natural.

Em Bangkok não há drogas nem violência pois as leis são severíssimas. Há sim truqueiros em todo lugar, mas sendo brasileiro você tira isso de letra. A cidade convida a descoberta, mas depois de andar o dia inteiro a gente realiza que a maior delas não está na rua, na feira, nem no templo… Está na gente mesmo.

 

O Rock in Rio continua lindo

setembro 28, 2011

Ipanema, 4h da tarde. Dentro da van começa uma contagem: Regla Bell? Presente! Virna? Presente! Ana Moser? Presente! É zoação da turma do vôlei do Posto 9, explica o amigo carioca. Sentindo que a viagem até o Rock in Rio vai ser longa, você prepara o primeiro drinque.

6 bons drinki, 4 horas, 3 barreiras da trânsito depois vocês chegam no meio do nada evento. Apesar do atraso, o pior acontece: Claudia Leite ainda está no palco. Enquanto você dá o truque na fila da cerveja, avalia o nível de vergonha empática do show, tabela que vai de Bruno Divetta a Serguei. Páreo duro.

Entra Katy Perry. Você, já de pileque, brinca de associar a multidão correndo para o palco com a peregrinação anual dos Gnus da National Geografic. Infelizmente, sem um bom crocodilo no caminho.

Entra o Elton John. Toca aquela da Lady Die (sic) grita a moça alterada do seu lado. Na sua frente, um conhecido apresentador de TV força um lipsynk no estilo Tela Class. A vergonha apita nível Cláudia, você decide ir no banheiro.

Entra a Rihanna. Finalmente o show mais esperado e mais animado da noitzzzzzzz… Na volta para a van, ninguém fala lé com o cré. Puro dadaísmo. Você embola a camisa xadrez pra deitar no banco, quando acha uma mini garrafa de Red Label. Eike tudo! Viva o rock ‘n’roll.