Archive for the ‘verão 40 graus’ Category

O estranho mundo do vestiário masculino

fevereiro 4, 2015

gym3

Vestiário de academia é um lance tenso. Magro, gordo, jovem, velho, ninguém fica confortável pelado num lugar lotado de espelho, luz branca e musiquinha de elevador. Não obstante, você ainda precisa lidar com aqueles personagens que deixam tudo ainda mais bizarro. Põe na tela:

O tiozão naturista. Aquela categoria de senhor que não tá nem aí e desfila bem a vontade pelo lugar brindando a todos com sua natureza senil-exuberante. Desconfio que o nosso plug-in do foda-se começa a rodar de verdade depois dos sessenta.

O manja rola. Aquele cara que passa mais tempo se secando dentro do vestiário que treinando na academia e fica de rabo (oi?) de olho manjando o pinto alheio. Reza a lenda que o cara nem gay é só tem essa… digamos assim, curiosidade.

O boleiro. Aquele tipo amigão que se troca enchendo o saco comentando sobre o campeonato paulista, brasileiro, europeu, libertadores, conmebol, ignorando o fato de que seu interesse é proporcional ao seu conhecimento de bola futebol, ou seja, nenhum.

O seguro de si. Aquele parça (sic) que se ama. Tem corpão, tattoozona, bundão, pintão. Ele é o máximo e sabe que todo mundo ali dentro (e lá fora, e no universo) quer ser ele, por isso anda peladão mesmo e fala com os brothers bem de pertinho, porque ele é macho e se garante.

O métro. Ele é metrossexual sim e desde que o assunto foi capa da GQ ele tem orgulho disso sim. Por isso, enfileira os produtos na pia sim e passa hidratante na perna de forma languida se olhando no espelho sim. Nas internas é chamado de Joãozinho do Secador.

Como ser celeb na web

janeiro 22, 2014

celeb

Depois de passar meu reveillon aturando ouvindo os amigos #instastuds nas areias de Ipanema, que, entre uma bebida diet, light ou sem lactose, me agraciavam com seus conhecimentos sobre a vida (cof cof) decidi criar um guia de como você, cidadão comum, também pode se tornar uma celeb na web. Pega seu iphone, prepara o duckface e vem comigo:

• A primeira regra pra você virar um sucesso na web é: imagem é tudo. A segunda regra pra você virar um sucesso na web é: imagem é tudo. Isso significa postar fotos do seu melhor (??) nem que pra isso você precise da ajuda de um app editor, que, como eu ouvi, aumenta mas não inventa.

• Segunda regra, tire fotos com pessoas bonitas. Seus amigos não são bonitos? Tudo bem. Nem você é bonito? Tudo ótimo. Apele pro instrutor da gym, pra mocinha da venda, o importante é tirar fotos felizes com quem é.

• Poste coisas que mostrem que você é inteligente. Mesmo que você não saiba quem foi Mandela. Na dúvida, pegue qualquer link do hypeness.com, compartilhe, diga que você curte demais aquilo e bingo.

• Fotos de viagem são hit e mostram que você é viajado e culto. Se em 2013 você não foi nem até o Guarujá, use o truque da foto de um lugar incrível (Tailândia teve muita saída) + mensagem filosófica.

• Regra pra vida: nu sempre dá ibope. Fotos mostrando “sem querer” o abdômen, ou na piscina, ou na praia, são sinônimos de likes, adds, comments e cutuques. Se você não tá em boa forma, evite e foque no rostinho. Se você não tiver nem um nem outro, aí colega, faça como eu e deixe o assunto para os iniciados.

• Por fim, compre um buldogue francês e poste muitas fotos fofas com seu novo amiguinho. Seus pontos na escala da celebridade online vão subir vertiginosamente. Depois que passar a moda e você já tiver atingido seus cobiçados 1K no Insta, você vê o que faz com o bichinho.

PS: Se quiser deixa comigo, eu ganho um cachorro e você fica livre pra sua próxima meta em busca da fama online.

A body da vez

novembro 18, 2013

body

Sábado. Onze da manhã. Shopping Eldorado. O lugar mal abriu e a movimentação já é intensa no subsolo do prédio onde fica a unidade mais babadeira da Bodytech, a rede de malhação que é a nova queridinha da jeunesse dorée paulistana.

Na entrada da academia o design minimalista serve de aviso aos mortais de que o shopping lá fora (conhecido por ser popular) é uma coisa e lá dentro a história é outra. A assepsia casa perfeitamente com o mood blasé dos funcionários, que só olham pra você quando chacoalhados com força pelos ombros (hehe brinqs). Sorrisos? Em profusão, na$ aula$ particulare$.

Ainda assim a academia impressiona. A sala de aparelhos é um desbunde. Diria que está para Mulher do Belo como o paraíso estaria pra Eva. Com direito a muito Adão (a maioria acima de 1,90) e até da maçã (grátis, mas só na exclusiva sala de aulas privadas). As esteiras, todas suspensas, são viradas pro salão facilitando o ver e ser visto, praticado com habilidade por mocinhas de moda esportiva e tiozões de gola V. A maioria de gel e chicletinho.

Enquanto você se familiariza com o ambiente, confere dez vezes se a roupa tá boa, se você tá suando demais, se a berma enfiou na bunda. Mal lembra que está ali pra treinar. Tudo piora quando passa um ex BBB do seu lado e você tem a certeza de que em algum momento da criação ele roubou o corpo que era pra ter sido seu. Dammit.

Treino completo, no caminho de casa você faz uma avaliação e se pergunta em que mundo estava quando malhar virou aquilo. Paciência, verão chegou e entre encarar a cara de koo do povo ou a cara de desgosto do paquera, vendo você de sunga na praia, prefiro a primeira. Não aguenta, pede leite. Desnatado, claro.

O carnaval a boca pequena

fevereiro 19, 2013

ipanema

Daí que o carnaval se foi. Com ele, a reputação que a gente jurava que tinha. Floripa, Rio ou Salvador o que não faltou foi assunto praquele tipo de mídia que não poupa ninguém, o da boca pequena. O que eu ouvi por aí?

Que a grande atração das festas em Floripa não foi nem o DJ, nem o local, nem a infra, mas a mata em volta.

Que no rio, o nível de civilidade da Banda de Ipanema tava pau a pau (oi) com a pipoca do bloco Crocodilo, da Daniela … Que de onde eu vi, parecia uma cena da Ilha do Doutor Moreau (Google).

Que a quantidade de substância tóxica (chamemos assim) que o povo descarregou em Floripa dava pra matar os mosquitos de Ilha Bela (SP) por um ano.

Que pela 1a vez São Paulo surpreendeu pelos bloquinhos. Pela chatice, não.

Que a coisa, mais coisa com coisa, que o povo no Rio dizia era: tô no carro da iguana.

Que em Olinda, um frequentador dum badalado estúdio de personal, na rua Consolação, estava caído na rua vestido de odalisca (rs amo. Bêjo no coração seja lá quem você for).

Que no Rio, o turbante liberou (entenda como quiser essa info).

Que nos moto-táxis de Savador só tinha a opção com emoção (idem item acima).

Que a enfermaria da TW Sul a faixa etária parava no ensino fundamental. E que lotou da classe to-da.

E que a inveja é uma merda … Portanto, se você curtiu, causou e fez valer esse feriado, que será um dos poucos este ano, tá de parabéns. Carnaval taí pra isso e como diria Lulu (no caso, o Santos) vamos nos permitir. Que o ano finalmente comece.

Papo de dieta

novembro 14, 2012

O verão chegou. E com ele, a histeria em torno dos quilinhos acumulados. Pensando nisso, listei as dietas que tem feito a cabeça da galera na cidade.

O regime virótico: Um hit. Com São Paulo fazendo as 4 estações num dia só esse ficou fácil seguir. Basta você sair de manhã num visual verão. O tempo vai virar, você pegar uma gripe violenta, uma semana de cama e pá, reaparecer um palito. Meio pálido, meio passado? Sim! Porém magérrimo.

O tratamento da lama: Que lama mágica nada colega! Consiste em você terminar um relacionamento, chorar por dias, perder a fome, enfim, chafurdar na lama da desilusão. Quando a tristeza passar (não parece mas passa) você colhe os louros: um corpo trabalhado no osso pra levar pra pista.

A dieta do sol: numa cidade como São Paulo, esse não sai da moda nunca. E é bem simples. Você sai de segunda a segunda numa vida regada a sexo drogas e rock n’ roll, vendo o sol nascer todo dia. Em menos de um mês você deixa a Yasmim Brunet no chinelo.

A da magia negra: essa é a dieta das celebridades que tão sempre magra nas revistas tudo. A pessoa dá entrada no Copa D’Or para ter filho e já sai de lá com o filho no colo (da babá) e a barriguinha de fora, com tanquinho. Desculpa, só magia explica. No caso, a negra (contatos do pai-de-santo no meu mail, please).

E por fim, tem a dieta vida real: que é você cortar o doce, a pizza, dormir bem e malhar 40 minutos, cinco vezes por semana. Sim, cinco vezes. Mas como ralar que é bom ninguém quer, boa sorte com as quatro primeiras.

Modismo grego

setembro 28, 2012

Prometi posts da viagem mas estava pegando ocupado e só tive contato com a web pra fomentar a inveja alheia via Instagram. E agora acho que o assunto viagem datou. Mas borá falar dos modismos de lá, já que reparei muita coisa boa (amém) mas também muita coisa estranha. Vamos a isso:

Cachecol rulê. Começou com os italianos (meio uma praga na ilha) e virou hit. Pois o lance era que, num calor da pourra, os caras torciam um cachecol e enrolavam no pescoço, igual imobilizador cervical. Geral usava, tipo flash mob.

Perna depilada. Sim, você leu certo. Outro modismo que chegou com os italianos. Diz que eles valorizam perna lisa e hiper bronzeada. Daí pergunto, e masculinidade? Cadê valor nessa escala?

Sunga speedo. Pra falar disso, vale dizer que não existe moda praia na Europa, cada um usa o que quiser (isso quando usa). Mas sunga fina do lado não fica bem nem num deus grego, quiça numa criatura normal.

Tênis botinha. Não sou um cara féshion e não sei o que é in ou não (até porque gosto é que nem cu e cada um tem o seu) mas era muito estranho ver, naquele ambiente, aquela bando de cano alto em tom amarelo, prata, dourado ou flúor (e a areia gent?).

Daí que você olha a lista acima e pensa: véi, na boua, tudo bixoooona. Pois olho nos teus olhos (via web cam) e te digo com toda sinceridade (cof cof) que, tirando o tênis botinha, era tudo modismo hétero. Pois é colega, Europa é assim, o povo é aprumado, tem passaporte vermelho, mas exerce essa conduta. Minha dica é fazer que nem quando a conta chegava na mesa do bar, aceita. E fim.

Placas do Parque

março 12, 2012

Passeando pelo parque do Ibirapuera (um vício novo e bem vindo) pensei em impossíveis plaquinhas de advertência que poderiam tornar a convivência por lá melhor. Espia e me diz se você não concorda?

Não faça cera pra liberar a vaga. Acabou? Entrou, ligou, vazou.

Para as pessoas que ficam alongando no capô, ou no celular, fingindo não ver a fila de espera. É feio. Tanto o ato quanto a pessoa, que se fosse boa coisa não precisaria chamar a atenção dessa forma.

Gosto é que nem cu e cada um tem o seu, mas ao vir ao parque evite roupas desconfortáveis.

Pras desavisadas de salto alto, maquiagem, jeans Gang. No geral, a galera acerta na pouca roupa, confirmando o verão como a melhor época do ano para se apreciar a fauna local.

As mina NÃO pira na marmita. Faça piquenique no lugar indicado.

Na praia é costume comer de tudo, até levar isopor. Já no parque não pega bem não. Melhor levar um lanchinho ou graninha extra para um açaí (essa é pessoal).

Se você é movido a música, outros são a silêncio. Respeite.

Sampa tem pouco lugar pra se curtir o silêncio. Daí, imagina o que as pessoas pensam a seu respeito quando você passa com seu celular tocando tche-tche-rere no último volume? A orelha da sua mãe deve ficar beeem vermelha.

Galera, matinho não é motel.

Acho que essa não preciso explicar…

Balanço do carnaval

março 14, 2011

Então o ano pode começar, o carnaval acabou. E olha que curtindo pelo Rio você achou que esse dia nunca ia chegar. Mas antes de começar a sofrer com o que vem por aí, borá fazer um balanço do melhor que teve por lá.

Melhor definição dos frequentadores dos blocos: exu cambalhota.

Melhor fantasia: tanquinho in natura.

Melhor cantada: acontece que o carnaval é “dinâmico”, se você não me beijar agora vou ter que ir embora beijar outra pessoa.

Melhor faceplant: Ana Hickman.

Melhor dispensada: não me amola e volta lá pra ala das baiana (sic).

Melhor apelido: avessinho (aka pessoa tão feia que é do avesso. 2o lugar: Clodôvéia)

Melhor mico: sair fantasiado de caranguejo na Grande Rio

Melhor momento: a volta pra casa. Bêjo.

Catwalk

fevereiro 16, 2011

O lado bom de ficar a semana sem carro é se ver obrigado a andar a pé pela cidade. A gente perde o ar-condicionado? Perde! Mas ganha de lembrar a cidade incrível que você mora e que só vê pelo lado de fora do vidro fumê.

Andar pela avenida Paulista é sempre um algo. Se você for observador já sente qualé da cidade ali. Porque tem a esquina dos yuppies, do restaurante Spot, dos moderninhos. E ainda tem o MASP, o Trianon, o Stand Center, tod’uma sorte de lugar bacanudo.

não muito longe, em Pinheiros, tem o entorno da Praça Benedito Calisto. Tem galeria, tem bistrô, tem baladinha. Foda mesmo são as ladeiras, de matar triatleta.

Daí têm os Jardins. A rua Oscar Freire e seu pseudo avant gardismo. Para  lá ainda tem o Ibirapuera, que dá pra cortar caminho vendo a brotagem exercitando. Confesso que não foi de todo mal passar um período a pé.

Claro que ao contrário daquela música famosa, nem sempre é lindo andar na cidade de São Paulo. Mas nem sempre caixa bonita é sinal de boa surpresa. Bom, e nem carro bacana é sinal de comodidade. DPaschoal que o diga.

Alôoca

fevereiro 3, 2011

Alôca é aquele tipo de clube fenômeno que só tem em São Paulo.

A hostess é uma trava, a MC é vesga, o staff mal-educado e o lugar um buraco. Ainda por cima é caro pra entrar, beber e estacionar. Mas tente entrar meia-noite de domingo. A fila é gigante e periga você ficar de fora.

Para entender Alôca tem que entender o atual momento da noite na cidade, repleta de clubes desastrosos, playboys prepotentes, ninfetinhas da vida fácil e lâmpadas fluorescentes voadoras.

Nesse cenário, Alôca se diferencia por juntar há anos na mesma pistinha héteros e gays, drogados e caretas, velhos e novos, tudo numa náice. E seu balcão de bebidas só perde em ecletismo (e exotismo) pro bar do filme Star Wars.

O som é outro forte diferencial da casa. Pense em bandas extintas, hits de vitrola, sucessos hipsters, anos oitenta, anos noventa, Britney Spears, top 10 Billboard, tudo junto misturado. Impossível não se render.

Claro que um lugar assim polariza opiniões. Uns saem de lá querendo encher o buraco de Napalm. Outros, defendem que depois de uma vodka gelada, uma cantada cafona e um hit do Morrissey, não existe lugar melhor para se estar.