Terra do dinheiro

julho 31, 2015

esquenta

Viver em SP têm lados bons e ruins. Lidar com dinheiro é um dos ruins. A partir do meio do mês sua conta bancaria parece bateria de iPhone em dia de festival, os ponteiros vão caindo conforme a tensão vai subindo. Quem dera a gente também pudesse plugar a conta numa tomada pra recarregar tudo.

Cariocas dirão, mas o Rio tá tão caro quanto. Concordo. O Rio tá um assalto (insira aqui seu meme) mas pelo menos tem praia, entre outros programas que gente faz sem pôr a mão no bolso. Já por aqui, saiu pagou. Ficou em casa, pagou também. Afinal a AppleTV tá quitada mas a NET não.

E quando você achava que a coisa não podia ficar pior baixou o raio gourmetizador na cidade pá, tudo ganhou fancy name e triplicou de valor. Até a goiabada com queijo, um clássico low-budget brazuca, virou suflê de queijo em ofurô de guava jelly (sim, isso existe!).

Para não deixar o salário nas portinhas gourmets da vida a gente faz de tudo, come em quilo, traz marmita, aprende a cozinhar. A internet está aí pra te ensinar um frango desfiado em 20 segundos (funciona, fiz ontem). Já para a sua falta de habilidade com as facas, só o esparadrapo mesmo.

No mundo adulto também ficou para trás tardes no shopping. Começa que você não tem mais tempo (aka idade) pra isso. Termina que gastar uma fortuna numa camiseta só porque ela tem uma coroa dourada atrás perde toda a graça quando é você quem paga a fatura cartão.

São Paulo é uma cidade de trabalho, de oportunidades, onde você encontra uma gin tônica bem feita até numa segunda-feira. Mas que cobra e muito bem cobrado, o preço por isso. O segredo de se adaptar bem nessa terra, é você descobrir o mais cedo possível que ser rico em São Paulo (e convenhamos, na vida) tem menos a ver com valores e mais com experiências.

Diz que…

março 5, 2015

diz que

Diz que…

O boné pro lado é o novo boné pra trás

Que a festa Postal é o novo MIS

Que o aço é o novo ouro

Que o largadão é o novo justo

Que Glutamina é o novo BCAA

Que Floripa é o novo Rio

Que a tarde é a nova noite

Que o normcore é o novo Hi&Lo

Que o Galaxy é o novo iPhone

Que o skate é o novo patins

Que o birote é o novo raspado do lado

Que Vila Madalena é o novo Baixo Gávea

Que a sweaty selfie é a nova mirror selfie

Que a âncora é a nova estrela

Que o Aperol é o novo Cosmo

Que puxar a capa é o novo puxar o tapete

E que não ligar para o novo novo é o novo novo

Desencanado

fevereiro 12, 2015

desencanado

Você faz o estilo desencanado né, me perguntou o xóvem. Fui meio-que-pego de surpresa enquanto tentava entender se aquilo tinha sido uma ironia  (já bem sabendo que era) e acabei concordando no automático, tipo uma gordinha que diz que está grávida mesmo sem estar.

Quando a roda se dissipou pedi um gin-tônica e refleti sobre o assunto. Fato! No who is who do mundo sócio-cosmopolita-hipster-metrossexual-paulistano, possivelmente você seria considerado uma criatura do tipo desencanada. E não é uma coleção de pulserinhas bacanuda que pode mudar esse veredicto.

No segundo gin-tônica você já começa a entender os porquês. Acontece que pra pessoas como você, é bem difícil ser estiloso sem deixar de ser prático. Afinal, nada te brocha mais do que gente que anda com álcool-gel na mochila e esteriliza tudo o que toca. Me pergunto como essa gente transa!

E antes que você comece a me imaginar na idade da pedra, faço aqui um parêntese. Estar asseado (tentei usar outra palavra mas não encontrei), vestido apropriadamente e saber a hora certa de falar, e principalmente, de não falar nada, não significa ter estilo mas educação.

O que me leva ao garoto no começo. Ele ter razão não exime a deselegância da opinião disfarçada de crítica, ainda mais quando você não conhece a pessoa. Eu poderia ter comentado que acho broxante homem de maquiagem. Mas como ele mesmo colocou, ainda bem que que eu estou na categoria dos desencanados e não dos francos.

O estranho mundo do vestiário masculino

fevereiro 4, 2015

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Vestiário de academia é um lance tenso. Magro, gordo, jovem, velho, ninguém fica confortável pelado num lugar lotado de espelho, luz branca e musiquinha de elevador. Não obstante, você ainda precisa lidar com aqueles personagens que deixam tudo ainda mais bizarro. Põe na tela:

O tiozão naturista. Aquela categoria de senhor que não tá nem aí e desfila bem a vontade pelo lugar brindando a todos com sua natureza senil-exuberante. Desconfio que o nosso plug-in do foda-se começa a rodar de verdade depois dos sessenta.

O manja rola. Aquele cara que passa mais tempo se secando dentro do vestiário que treinando na academia e fica de rabo (oi?) de olho manjando o pinto alheio. Reza a lenda que o cara nem gay é só tem essa… digamos assim, curiosidade.

O boleiro. Aquele tipo amigão que se troca enchendo o saco comentando sobre o campeonato paulista, brasileiro, europeu, libertadores, conmebol, ignorando o fato de que seu interesse é proporcional ao seu conhecimento de bola futebol, ou seja, nenhum.

O seguro de si. Aquele parça (sic) que se ama. Tem corpão, tattoozona, bundão, pintão. Ele é o máximo e sabe que todo mundo ali dentro (e lá fora, e no universo) quer ser ele, por isso anda peladão mesmo e fala com os brothers bem de pertinho, porque ele é macho e se garante.

O métro. Ele é metrossexual sim e desde que o assunto foi capa da GQ ele tem orgulho disso sim. Por isso, enfileira os produtos na pia sim e passa hidratante na perna de forma languida se olhando no espelho sim. Nas internas é chamado de Joãozinho do Secador.

Pequenos prazeres

janeiro 13, 2015

rain

Quando a gente chega aos trinta aprende a dar valor aos pequenos prazeres. O que são pequenos prazeres? Transar pela manhã por exemplo não é um pequeno prazer. Mesmo que seja uma foda transa meia boca tudo que envolve uma segunda pessoa não dá pra categorizar pequeno.

Pequeno são aqueles prazeres que você tem sozinho. Transar consigo mesmo pode ser encarado como pequeno? Pode. Mas isso é algo que está sempre a mão (#trocadilhobaratodetected) e o que está em pauta é justamente o que você não tem mais.

Tipo sair do trabalho com o sol brilhando. Quem que consegue fazer isso? Eu que não, nem em horário de verão. E quando isso acontece saio me achando a última Oreo do pacote e cantando Aint No Mountain High Enough.

Malhar de tarde, pegar piscina, usar moletom, tirar a camiseta no calor. Ponto de atenção aqui hein, em São Paulo só tem 2 lugares onde você é melhor bem visto sem camiseta do que com, no parque do Ibirapuera ou na boate The Week.

E tomar um café lendo um livro sem se preocupar com a hora? Esse está nos meus top 10 pequenos grandes prazeres. Aliás esqueça o livro, a moda hoje é tomar café com um notebook. Perco o foco total com aquele monte de tela acesa. E a vontade de catar o que o colega tá acessando?!

Virar adulto traz muita coisa boa. Independência, bloody marys, levar desconhecidos para casa. Mas tem dias que a gente se dá conta do que a gente não tem mais e da ironia disso tudo, afinal, se hoje você não tem tempo é justamente para bancar os prazeres que você julgava grandes.

Sossego, SQN

setembro 29, 2014

finde

Tinha uma época onde o final de semana era tudo o que a gente queria da vida. Dormir até mais tarde, estragar a dieta, zero compromissos, controle remoto bombando, eike delícia.

Hoje a história é outra. Final de semana virou ‘tempo de fazer tudo que não dá para fazer durante a semana’. E como na semana só dá tempo de trabalhar e olhe lá, a lista do restante faz fila na agenda.

Pra começar tem o supermercado, já que o único habitante da geladeira é uma Absolut no finzinho. Enquanto faz compras você acha até divertido e se pergunta porque detesta tanto? Ao pagar você começa a recordar do porquê e ao carregar, veja só, relembra do motivo perfeitamente.

Seguindo a lista, tem os documentos pra organizar (zona proibida pela diarista), separar roupas para lavar e coisas de casa para comprar. No caminho constata que engarrafamento deixou de ser exclusividade do meio da semana.

Na volta, o grupo no Whatsapp te lembra que hoje é sábado, dia de balada. Mas antes só uma descansadinha. Um olho cai, o outro também e logo lá está você, sonhando com algo safado e sujo pra lembrar o que você não faz mais.

No outro dia você já acorda atrasado para eventos mil, é almoço com família, é reunião dos amigos, é missa (sim, eu vou). Neste meio tempo você se pega desejando que o final de semana acabe e que a semana comece logo para você poder descansar um pouco.

Gymsters

setembro 12, 2014

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O nerd magrelo já era. O hipster de hoje quer preencher a camisa vintage de gostosura. E nas academias de Sampa ficou comum ver meninos super cool dividindo os pesinhos com os bombadões. Como era de se esperar com o novo cenário chegam novas manias (algumas nem tão novas assim).

Cross fit. É tipo um treinamento militar só que pra gente normal. Eu fiz e curti. Só não curti pagar 400 merréis pra pular baú e fazer barra. Também vi uma galera quase desmaiando e dizendo que o lance é isso mesmo #TENSO.

Goji Berry. O beauty item da vez. É uma frutinha desidratada rica em aminoácidos. O hype é você abrir o pote e salpicar os paranauê em cima da salada, do açaí, do yogurte, enfim, onde der contando que todo mundo veja.

Mahamudra. Mix de Pró-vida com Cross fit e a nova sensação da cidade. As aulas iniciam com um mantra, são ao ar livre e lotadas de modelos, BBBs e gente que (diferente de você e eu) pode malhar no meio do dia. Mais onírico que isso só se o professor chegar num unicórnio alado.

Legging masculina. Começou com os meninos do Mahamudra e virou febre. Hoje em dia até os meninos héteros cof cof usam por aí. Ao meu ver é tipo a sunga speedo, fica ótima no modelo da revista mas na vida real…

Celular descontrol. “Meninos que se montam inteiros pra treinar mas quando chegam na academia ficam vidrados no Grindr Whatsapp alugando o aparelho. O que comem, onde vivem, como são vistos pela sociedade? Hoje no Globo Repórter”.

Independente do modismo o verão tá aí e é melhor você fazer algo a respeito. Porque no fim, entre o boy sensível, celeb na web, que conhece hercules & love affair e um boy burro porém gostosinho, a gente sabe muito bem quem aquele seu paquera vai escolher.

Bairro de firma

julho 17, 2014

firma

No quesito urban fail poucos lugares ganham de São Paulo, uma cidade cheia de fenômenos urbanísticos de dar medo. Um deles é o bairro de firma, aquele lugar com alta concentração de escritórios e que por conta disso se tornam lugares hostis a pessoas com sistema nervoso fraco. Quatro maneiras de você reconhecer que está num bairro de firma:

Crachazismo. Tipo de TOC corporativo que leva a pessoa a ter orgulho de andar com o crachá no pescoço. Se um dia você se ver numa rua onde as pessoas estão todas sinalizadas com nome e cargo, caminhando numa velocidade acima do normal, batata, você está num bairro de firma.

Barreirinha humana. São aqueles grupinhos que trabalham juntos, saem juntos, almoçam juntos e andam blocadinhos fazendo barreiras humanas na calçada. E você fica atrás inalando fumaça (sim, eles fumam juntos também) tentando ultrapassar o povo. E quando você dribla uma, pá, tem outra lá na frente.

Quilo descontrol. Nada contra restaurante de quilo. Na verdade até simpatizo por conta do valor, o problema é quando você tem que almoçar com um cliente, uma paquera, ou algum amigo e só tem quilo no bairro. É puxado demais tentar manter o glamour com bandejinha na mão viu.

Sinal E. Pra mim o pior. Pois não há 3G que aguente (no Brasil, claro) a densidade demográfica dos bairros de firma somados a profusão de departamentos de TI. Qualquer dia desenvolvo uma úlcera tentando abrir apps de importância vital (alô, Instagram?) enquanto o fantasminha do sinal Edge tripudia na minha cabeça.

Mas louco, louco mesmo, é ver como estes bairros se transformam num paraíso nos finais de semana, sem trânsito, sem barreirinhas, sem cigarro e sem estresse. Se um dia um santo estender o final de semana para três dias, posso até pensar em cotar o Itaim ou a vila Olímpia para chamar de meu. Mas até lá…

Bearded

junho 25, 2014

barba Inverno em São Paulo é tempo de ousadia. Época deles falarem palavras como fondue e delas mostrarem seu senso de moda adquirido de blogueiras de moda + outlets estrangeiros. Inverno também é a época de suavizar a formalidade a favor do conforto deixando a barba crescer. Mas fique atento, a maioria por aí anda mirando no looking do viking sexy e acertando no mendigo craqueiro:

1a semana – Barba crescendo. Diria que é a melhor fase. Ignorar a gilete é a queima do sutiã do universo masculino. Exagerei? Tá, ok, mas que é libertador, isso é. E a gente ainda ganha 15 minutos para gastar com coisas mais importantes na vida. Tipo checar o Instagram ou jogar Perguntados.

2a semana – Barba tomando forma. É uma fase limbo, onda os pelos não f**** nem saem de cima. Nessa fase ‘cara de mendigo’ vale se vestir melhor para evitar a vendedora esnobe te medindo. Pois é! Estamos em 2014 e as pessoas julgam pela aparência sim, acostume-se.

3a semana – Barba preenchendo o rosto. Esta fase confirma que o lance é sério, você tá deixando crescer mesmo. A partir daqui você realiza que nem tudo são flores e que barba exige certos cuidados, tipo aparar e gastar com produtos. Sei que é difícil, mas evite a cara de bad boy em selfie.

4o semana – Barba grande. Você chegou lá. Pode solicitar seu freepass para o panteão dos lenhadores de boutique. Prepare-se para a condescendência dos hipster, o respeito dos brutos, a cobiça dos gays…

Agora, se a sua ideia foi pegar mulher, aí colega, errou rude. Simplesmente porque elas (pelo menos as que eu conheço) detestam barba e ouso dizer, têm até um nojinho. A não ser a do Beckhan (o David) ou do Brad (o Pitt). Não sendo você nenhum desses dois, vale usar por um tempinho pra pagar de hipster mas logo voltar pro seu visual antigo que você come mais mulher ganha mais.

Lugar da moda

maio 9, 2014

tamplateConfesso, não sou fã de lugar da moda. Quando ouço falar muito de um lugar, já prevejo o big eye da patrulha hipster me vigiando. Não dá um mês, balõeszinhos verdes piscam no celular com mensagens do tipo não acredito que você ainda não foi + carinhas de espanto.

Na maioria das vezes um lugar que fica na moda é bacana. O problema é que em Sampa, onde as pessoas tem mais medo de ficar por fora do que de assalto, a espera no restaurante badaladinho pode durar duas horas, a de um bar da moda uma, a de uma exposição hype tudo isso, e mais um pouco.

Prefiro não ir e por a culpa no trabalho. Acho ótimo que, por aqui, culpar o trabalho legitima tudo. No mais, tenho comigo que se a pessoa realmente quisesse nossa presença, reservaria uma mesa animada num restaurante bacana, ao invés de fazer você se humilhar pruma hotess-que-te-despreza na entrada de um bar dançante (até quando?).

Evitar o que tá na moda tem seu preço. Enquanto na festinha todos comentam sobre a exposição do Bowie, da galinhada X, da feirinha Y, você é obrigado a ir buscar mais um drink na cozinha. Até o fim da noite serão vários. Além de bêbado, periga você ficar com fama de alienado, que não sabe nada (Aka inocente).

Claro que existem convites que não podem (e nem devem) ser recusados. Neste caso a dica é chegar bem cedo. E pedir um drink, mesmo que você não beba. Acredite, facilita as coisas. Assim, quando o ambiente ficar insuportável você já vai estar de saída. E de quebra, conheceu mais um lugar da moda para assuntar com os deslumbrados antenados por aí.


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